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✎ Passos de uma vampira estrangeira ✎

Maeve chegara ali naquela estranha cidade e, tudo que tinha feito até então era esperar pela volta de seu mentor. Já não aguentava todo aquele confinamento que a entediava e a enfurecia por dentro a cada segundo.

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26 de Janeiro de 2012

Estou eu aqui mais uma vez...

Escrevendo em meu diário o que ocorreu ou não ocorreu na noite passada. Estava sentada ao chão do estabelecimento a qual me acolheram aparentemente com não muita boa vontade… remexendo as cinzas da lareira com uma fina e longa haste de bronze que nem ao menos sabia a quem pertencia, talvez seja da senhorita manipuladora de sombras. As chamas aumentavam de tamanho a cada vez que a madeira era cutucada por mim, e o fogo que iluminava antes o salão, também aquecia meu rosto frio e pálido. Cansada já de todo aquele confinamento resolvi sair e dar uma volta.

Procurei por meu casaco negro, era de algum tipo de pele, não de couro, fofo e confortável. O adquiri quando tomei o sangue de uma senhora simpática. Faz tempo isso, talvez uns 50 anos atrás. Essa senhora não passava de uma pobre coitada, vivia sozinha e aposto que ela se arrependeu amargamente quando eu bati em sua porta e me convidou a entrar. Ela residia em sua casa humilde interiorana, longe da cidade grande. Mas agora resumindo, a única coisa que realmente me faz lembrar dessa senhora é seu casaco o cheiro impregnado nele, cheiro de perfume francês para idosos com mofo. Já tem décadas que o possuo e esse aroma não sai, bom mas também eu nunca o lavei, deixa como está.

Saí em busca de algo para fazer, talvez voltar com sangue seco no rosto, satisfeita e roupa machada do manjar divido que os humanos podem nos oferecer. Mas me enganei. Durante a caminhada minha mente foi tomada por lembranças de infâncias, lembraças que me levavam as lembranças de uma vida mundana. Lembranças essas que nunca me enxeram de esperanças e sim de ódio, ódio por ter sido tão recriminada e maltratada por meus pais. A única coisa valiosa que eu tinha era meu irmão, sinto um amor imensurável por ele e me arrependo por ter sumido sem o dizer uma sequer palavra.

Enfim, caminhada de tempo perdido. Caminhei por horas em busca de alguém para oportunar e a única coisa que pude sentir era o cheiro de medo naquela cidade. Nenhuma alma viva ou morta caminhava por aquelas bandas. Era só eu e minha consciência, eu e minha natureza hostil. As coisas estavam mais sérias do que eu pensava. A única iluminação nas ruas era a dos postes, nem mesmo as casas deixavam suas lamparinas, velas ou lâmpadas acesas. O que tentavam evitar? Preciso descobrir mais a repeito desse medo que assola as ruas de Incubus. Mal sabem eles, criaturas noturnas ou diurnas que o medo é o nosso principal inimigo. Que eu trago o medo.


Texto por Barbara Svartur

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